terça-feira, junho 05, 2018

Olha pra o céu meu amor...! Muito mais colorido, muito, mais cidadão, é o São João, da Girassol do sertão de Russas/CE




Hum...! Fazendo e acontecendo...! Pois é, discutir e desconstruir o preconceito por intermédio de um ato cultural tradicional, esse  foi o propósito da quadrilha Girassol do Sertão, de Russas(CE). Isso mesmo,  o grupo de 120 pessoas, entre dançarinos e produtores, trouxe um debate sobre a intolerância contra as  minorias para o enredo deste ano, com o tema: "Minha manifestação cultural,  também é política". Um dos momentos mais aclamados, é a reprodução dos últimos momentos de vida da travesti Dandara dos Santos, morta em fevereiro do ano passado, no Bom Jardim(CE). Para o presidente da Agremiação, a proposta mostra que a arte é capaz de transformar o modo de pensar das pessoas, "mesmo que a passos lentos", pontuou ele. Ao longo da apresentação, a Girassol traz músicas da época junina, mas que apresentam uma discussão sobre problemas sociais, como "Pedras que cantam", de Raimundo Fagner. O repertório, porém, tem canções que não são forrós e xotes, mas que foram adaptados para o ritmo, como "Para não Dizer que Falei das Flores", de Geraldo Vandré, símbolo da resistência à Ditadura Militar, ou a mais atual "Não Recomendado", assinada pelo cantor e compositor Caio Prado.  "Quem é rico, mora na praia. Mas quem trabalha, nem tem onde morar. Quem não chora, dorme com fome, mas quem tem nome, joga prata no ar". Fagner. Pedras que Cantam. A apresentação da quadrilha caiu no gosto popular e trechos foram compartilhados na internet. O grupo, no entanto, afirma que o trabalho não tem pretensão político-partidária. "Vendo a atual conjuntura do nosso país, pensei que poderíamos passar uma mensagem usando a nossa cultura. A ideia nunca foi tomar partido de nada, e sim, falar um pouco da história das grandes manifestações do país e tentar transferir uma mensagem de esperança", explicou Adriano Mendes, coreógrafo e produtor. Apesar disto, o integrante destacou a importância de trazer o tema em ano eleitoral. "Não somos leigos ao que está acontecendo. Um ano de eleição é o momento certo para tentar abrir os olhos das pessoas e tocar o coração delas", completou. Apesar da popularidade, algumas pessoas criticaram o teor político da apresentação. Mas os comentários parecem não preocupar o grupo. "A gente respeita, pois o nosso grito está sendo ouvido por muita gente. E isso é o que importa. Não temos nem tempo de ver a parte ruim, estamos tentando responder e corresponder a quem nos apoia", explicou Alex. 


Rainha trans



A Girassol, antes de trazer este enredo, já contava com Cíntia Freitas no elenco desde 2009, antes mesmo de fazer sua transição. Após se reconhecer como mulher trans, decidiu não dançar mais como homem e ficou nos ensaios. Ela voltou após uma pessoa precisar ser substituída. Este ano, ela é a rainha da quadrilha e representa Dandara dos Santos, na apresentação. "Quando a gente escolheu a Cíntia Freitas, nossa rainha, sabíamos do risco que corríamos, mas arriscamos. Ela representar Dandara, faz ecoar o grito de apelo. Somos o país que mais mata LGBTS", comentou Alex. Do Blog: Um  luxo  só....beleza , cultura e consciência no mesmo pacote. Valeu Girassol