quarta-feira, junho 06, 2018

Em terras notras...! O chef francês premiadissimo, Benoit Vidal, dispara em Brasilia/DF: “A comida é uma forma de expressão”


Rafaela Felicciano/Metrópoles


Hum...! Entre nós...! Isso mesmo, de la ferme à la table – ou, como é mais conhecido, farm-to-table (da fazenda à mesa, em português). Eis o conceito que embasa a produção do premiadissimo chef francês, o tudo de bom.com, Benoit Vidal, responsável pelo L’Atelier d’Edmond, dono de duas estrelas Michelin, que desembarco em solo verde e amarelo no último fim de semana. A ideia, em voga na alta gastronomia contemporânea, prega a valorização de ingredientes frescos e locais comercializados por pequenos produtores. Essas características estiveram  presentes no jantar de ontem, terça-feira (05/06) e no de hoje, quarta-feira (06/06), apartir das  19h30mim  , no B Hotel , SHN Quadra 5,em Brasília(DF). Na  última segunda-feira (04/06), Benoit,  recebeu a reportagem do Metrópoles no restaurante do hotel. De dólman, sensualizando  abordo do  tradicional uniforme dos cozinheiros, onde o  chef conversou sobre sua visão de gastronomia, ingredientes brasileiros, o menu do jantar e de como a “cultura da comida” é algo que precisa ser trabalhado para construir um mundo mais sustentável. "A cozinha é uma forma de expressão. Cada chef imprime sua personalidade [nos pratos]. A ideia é utilizar os produtos daqui e combinar com aquilo que faço ao longo da minha carreira. Quero fazer uma ponte cultural [com o Brasil]", disse Benoit Vidal Para os brasilienses, como entrada, Benoit , tá servindo truta marinada e grelhada; e tuile crocante de tapioca. De prato principal, o chef oferece lagostins com limão confitado, consomé de crustáceos com infusão de flor Galium odoratum das montanhas; filé de linguado da pesca do dia com crocante de pão, molho de cenoura orgânica e raspas de yuzu; e peça de wagyu semidefumado caseiro e grelhado, redução de beterraba orgânica e infusão de flores de hibisco. Ao fim do jantar, o comensal poderá degustar queijo branco, mirtilo e tuiles de leite e folhas crocantes a três chocolates, creme de chocolate 75% e cumaru, além de sorvete de feno de pastagens dos Alpes.

Gastronomia sustentável:

Além dos pratos deliciosos, Benoit se dedica a outra missão: espalhar a ideia de que o ciclo da produção gastronômica pode ser sustentável, privilegiando a criação e os ingredientes locais. Por exemplo, o cajuzinho-do-cerrado, fruta capaz de encantar o estrelado chef francês. Só pra registrar,  ao chegar em Brasília(DF), na tarde do último  domingo (03/06), o cozinheiro prontamente foi à fazendo do B Hotel, localizada em Planaltina(DF). Lá, conheceu parte dos ingredientes que estarão à sua disposição no preparo do jantar. Produção local é uma das bandeiras empunhadas por Benoit. “Quero utilizar produtos que temos aqui. Fomos à fazenda ver os ingredientes. Tudo local, sem a necessidade de uma viagem de 200km para chegar até o restaurante, com quase nenhum impacto ambiental. São medidas que, inclusive, impactam positivamente a economia da região”, comenta o cozinheiro. Benoit na fazenda do B Hotel: “Ter uma horta faz bem, aumenta o convívio em família e remete à nossa história”

Cultura do “bien manger”:


Até mesmo importantes premiações têm levado em consideração o uso de produtos e ingredientes da economia local. Entre eles, um que Benoit conhece muito bem: o Guia Michelin. A publicação terror e alegria dos chefs,  busca a identidade dos restaurantes e sua ligação com a região do país."Não apenas os restaurantes se beneficiam – com condecorações e prêmios – da convivência com produtores locais. É algo que deve ser aplicado no dia a dia para, segundo o chef, se ter, de fato, uma vida saudável. “Ter um horta faz bem. O homem sempre viveu plantando sua comida na terra. Em vários locais é possível cultivar suas cenouras e não apenas comprar no supermercado”, argumenta o famoso. Benoit reforça a necessidade de recuperar a cultura do “bien manger” (comer bem, em tradução livre). Não se trata de frequentar restaurantes todos os dias, mas de voltar a se relacionar com os ingredientes, cozinhar em casa e fazer as receitas da vovó. Para Benoit, a valorização da produção local é essencial para uma vida saudável “Para que comer coisas artificiais, feitas de plástico, produzidas por grandes indústrias? É possível preparar coisas simples e saudáveis, como legumes puxados na panela, respeitando sempre a sazonalidade. Os chefs devem mostrar que se pode comer bem no cotidiano”, opina ele .

Coisa nossa na bagagem : 

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Benoit voltará para França com diversos conhecimentos adquiridos no Brasil. Um deles é o nosso tradicional pão de queijo, que, em breve, virará quitute no L’Atelier d’Edmond. “Eu pedi ao Sato [chef do B Hotel] para observar como faziam [o salgado]. Quero reproduzir utilizando um queijo dos Alpes, o beaufort”.

Fonte: Metropoles 
Fotos: Rafaela| Feliciano/METRÓPOLES/REPRODUÇÃOArQuivo pessoal