quinta-feira, junho 22, 2017

Falando sério...! “Ainda somos um país muito intolerante, preconceituoso e hipócrita”, diz Leandra Leal


"Acho que elas merecem mais [reconhecimento]", disse Leandra Leal, diretora de Divinas Divas, sobre artistas travestis (Foto: Daryan Dornelles)


Hum...! Pensa como a gente...! “Ser mulher é muito fácil para quem já é. Mas para quem nasce para ser João, é um sacrifício a transformação.” O trecho de uma das canções do espetáculo Les girls, o primeiro com travestis do Brasil, foi revivido no palco do Teatro Rival, no Rio de Janeiro, em 2014. O motivo foi a celebração dos 50 anos de carreira de 8 atrizes travestis, pioneiras da dramaturgia nacional, como Rogéria, Jane Di Castro e Divina Valéria. Na ocasião, a multimais, atriz e agora cineasta, a tudo de bom.ccom, Leandra Leal gravou o reencontro das que batizou, em seu documentário de estreia, Divinas divas. O filme entra em circuito nacional nesta quinta-feira, dia ( 22/06), e vai além das perucas, plumas e dos paetês que as divas ostentam em cena. “Queria muito mostrar o ser humano por trás delas, com toda a complexidade de cada uma”, disse Leandra em entrevista a ÉPOCA. Ela é neta do empresário Américo Leal, que administrou o Rival a partir da década de 1970. Produzido ao longo de 6 anos, o documentário mergulha na intimidade dos primeiros homens que romperam com padrões sexuais ao subir em saltos e passar batom. Entre outros temas, o filme trata da velhice, da relação de Leandra com as atrizes e do amor em tempos de ditadura. Segundo a diretora, um de seus principais objetivos foi fazer um resgate de memória para a nova geração. “A escolha corajosa, pioneira, de se travestir, em 1960, abriu caminho para tanta coisa. Acho muito importante que as novas gerações, e todo mundo, reconheçam isso”, disse Leandra, que é fã declarada de Ru Paul’s drag race, reality show americano protagonizado por drag queens. Passados mais de 50 anos da estreia das divas no Rival, Leandra reconhece que alguns direitos foram conquistados pela comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Mas faz um alerta: “Somos muito violentos. O Brasil é o país que mais mata travestis no mundo”, diz global .

Fonte: Epoca